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terça-feira, 7 de outubro de 2008

Testemunho de Moçambique -Rita- III

Chegava, então, o dia que íamos para Lifidzi. Lifidzi é uma pequena vila a 4horas de Tete. Aqui as irmãs gerem uma maternidade e centro de saúde. Distribuímo-nos por os diferentes serviços consoante as competências e qualidades de cada uma. A mim coube-me na parte da manhã ajudar o único profissional de saúde da zona da Triagem (zona que funciona como urgências gerais!) – o enfermeiro Domingos. Ali a minha missão era ajudar a atender e resolver todos os casos das pessoas com as mais variadas patologias da enorme fila que todas as manhãs se juntava à nossa porta. Os casos que não conseguíamos resolver encaminhávamos para o Hospital que era bastante longe. Muitas daquelas pessoas caminhavam horas para poderem ser atendidas naquela manhã – crianças, mamãs, jovens, idosos… Maioria delas não falava português, mas sim o dialecto daquela região – o Nihanja.
Como podem imaginar as nossas manhãs eram de muito trabalho. Ali eu não era uma mamã como no orfanato, mas alguém em quem as pessoas colocavam toda a sua confiança para poderem ver o seu filho/mãe/tio/irmão/amigo tratado. Ali tínhamos de agarrar em todos os conhecimentos e poucos recursos que tínhamos e simplesmente ajudar. Ali pensava tantas vezes: “como estas pessoas aguentam tanto sofrimento? Se fosse em Portugal resolveríamos assim, mas aqui não há esse medicamento ou não temos esse material…” E o espírito de improviso nascia.
Durante as tardes acompanhava e dava o meu contributo na maternidade. Ali consegui perceber como é tão belo o dom da vida! =) Quando peguei pela primeira vez num bebé que acabou de chorar e mostrar a vida que Deus deixou nele, senti uma felicidade inexplicável! Deus fez-nos criaturas mesmo belas! Para cada uma daquelas crianças pedia a Deus para que crescessem e fossem homens e mulheres testemunhas do dom e beleza da vida… Que em cada uma, Deus permitisse crescer o seu potencial de serem Homens Novos para o mundo! É incrível ver como uma mamã esquece o sofrimento todo que passa no trabalho de parto, no momento em que amamenta e fica com o seu filho. O perdão de Deus para cada homem será também assim. Afinal, Ele fez-nos à Sua imagem e semelhança!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Testemunho de Moçambique -Rita- II

Moçambique é um país dez vezes maior que Portugal, um país com muitas dificuldades a todos os níveis… A primeira sensação que tive foi que estava tudo por fazer! Só pensava para mim: “Mas afinal o que vim aqui eu fazer?! O que poderá um mês da minha vida mudar neste povo… Eles precisam de tanta coisa…”

Depois de Maputo, e do confrontar com a realidade muito diferente da nossa, partimos para Tete. Em Tete as Irmãs têm um orfanato onde iríamos ficar apenas de passagem, segundo o que tínhamos planeado, mas por imprevistos tão próprios da missão tivemos que permanecer uma semana nesse orfanato! E ainda bem! Sempre ouvi dizer que Deus escreve direito por linhas tortas!... Aquilo que nos pareceu ao início mais um imprevisto, tornou-se para mim uma das experiências mais marcantes de toda a missão. Naquela casa existem 105 crianças órfãs, 2 irmãs e meia dúzia de Titias (funcionárias). O nosso dia começava bem cedo, e era sempre preenchido com jogos, abraços, brincadeiras, explicações depois da escola, canções, aprender português, consolar e fazer palhaçadas para aquelas que por algum motivo choravam, ajudar nas refeições, etc… Em cada momento havia sempre que fazer… nem que fosse apenas fazer uma careta e cócegas para a Calua se rir às gargalhadas! =) Recordo com saudade aquela voz da Odete, uma menina de 4 anos que apesar do seu aspecto frágil e doente (devido à sub-nutrição e HIV positivo) dizia “Mana Tita!” como quem diz: Mana Rita!

Sentia-me a mamã que muitas delas nunca tiveram. Muitas vezes em cada dedo das minhas duas mãos tinha uma mãozinha de cada criança, para que desta forma todos pudessem dar-me a mão. Deus estava em cada uma delas… E em cada uma delas eu via tantas vezes o amor infinito de um Deus que nos quer felizes! Cada dia e sorriso eram uma vitória… porque sabíamos que aquele dia tinha sido um bocadinho melhor para cada um de nós, não porque tinham recebido uma playstation ou visto uma nova série dos Morangos com açúcar… Mas sim, porque tínhamos juntos convivido e aprendido uns com os outros a arte de amar no meio de tanta miséria e sofrimento. Lá dei o verdadeiro valor à minha família, ao meu país, às oportunidades da minha vida… Afinal parece que aqui (Portugal) tudo temos para poder acreditar em Deus e no amor, porque parece que quase nada nos falta!… Muitas vezes me continuava a perguntar: “Mas porque me enviaste a mim, Senhor?!” Sentia-me tão pequenina para a tão grande missão que a cada manhã recomeçava. Ao mesmo tempo, aquele ritmo e vontade de ajudar em tudo não me dava muito tempo para parar e reflectir em tudo o que vivia… Pedia todos os dias a Deus – “Que as minhas sejam as Tuas mãos…”

sábado, 4 de outubro de 2008

Testemunho de Moçambique -Rita- I


Tudo bem convosco? Espero que sim!

Antes de mais queria pedir desculpa de ainda não ter partilhado com todos o meu verão pelas terras de Moçambique, não foi por esquecimento mas sim por necessidade de tempo para “ruminar” todo aquele tempo maravilhoso que por lá passei e desta forma conseguir passar para palavras um pouquinho daquilo que vivi.

Desde pequenina um dos meus sonhos era andar de mala de primeiros socorros a correr por grandes planícies ao lado de elefantes! =) Hihihi… Pois, um simples sonho de criança… Mas a verdade é que ele sempre ficou no meu pensamento ate aos dias de hoje. Há dois anos uma amiga e colega de faculdade (Filipa) convidou-me para abraçar um projecto de voluntariado das Irmãs de São José de Cluny. Comecei-me a interessar e passávamos muitas horas a falar de missão e voluntariado. Após um ano de formação e de discernimento junto de Deus… sentia vontade de ir e confiar naquilo que Deus me ia segredando, mas ao mesmo tempo cá dentro sentia um medo e receio de arriscar. Não foi fácil decidir, mas muitas pessoas (e muitas vezes alguns de vós) foram-me ajudando a perceber que a decisão certa seria ir… e assim parti, com a Filipa e a Olinda, no dia 29 de Julho rumo a Moçambique… E no meu interior pensava: “Quando por Deus se arrisca, arrisca-se sempre bem!” =)

Agora perguntam vocês, e então e lá? Valeu a pena arriscar? Valeu sim…e não sabem o quanto.

domingo, 14 de setembro de 2008

Estar na MarCha


Engana-se bem quem pensa que a MAR-CHA é estar neste ou naquele encontro, fazer novos amigos e no fim fechar a capa e arrumar tudo numa prateleira até que surja um novo encontro e se aprenda mais um jogo e se conheça mais um amigo… MAR-CHA é muito mais! É um estado de espírito, uma forma de viver, uma das formas de amar…

As nossas t-shirts rosa deixavam transparecer toda a alegria de sermos Maristas, de conhecermos Cristo. Nesse dia saímos à rua apesar da intensa chuva, apanhamos um autocarro e fomos até ao cinema. Pelo caminho não paramos de cantar (sem conseguir encantar), de rir, de falar…e ao fim do dia, apesar de encharcados, estávamos felizes, éramos MAR-CHA.

Ser Marista é ouvir, é sorrir, é dar a mão e ser Marista é também ir ao cinema com o grupo de amigos, porque não?! É esta felicidade de sermos quem somos e o podermos demonstrar que nos une à vida e a Cristo. É este mundo que devemos partilhar com os outros, contando com a ajuda da nossa Boa Mãe.

Uma dica: vamos ser sempre originais e honestos. Felicidades!

Filipa

AS PEGADAS

As pegadas andam sozinhas. Faltam-lhes as outras que sempre caminharam ao seu lado.
Num momento esqueci. Num momento ceguei. Num momento perdi-me e vagueei.
Vagueei na busca das pegadas certas. Deambulei por entre cidades e gentes, povos e culturas, mundos diferentes. Olhei. Observei. Procurei. Cheirei todos os cantos, todos os buraquinhos.
Senti-me perdida e por vezes achado. Senti-me só e por vezes apenas incompleta. Esquadrinhei caminhos, naveguei mares, calcorreei as praias. As pegadas que tanto procurava teimavam em não aparecer. Não as via. Mas conseguia senti-las. Não as via mas tocava-as. Não as via porque estavam mesmo ali, onde sempre estiveram. Eu com a ânsia da procura esquecera-me
de que nunca as havia perdido, de que apenas me tinha distanciado um pouco mas ainda as podia ver, lá longe, na linha do horizonte. E elas diziam, "por que no te juntas a nosotras otra vez?", "te estamos esperando hace mucho ya!"

Coberta de lágrimas saudosas e invadida por um sopro de alívio percebi que a busca tinha terminado.
Só faltava uma corrida. Um esforço sem cansaço. Era a minha oportunidade. Afinal elas nunca tinham desaparecido. Tinha sido eu a deixar de as ver. Afinal elas eram as mesmas de sempre e por fim podemos caminhar juntos novamente, lado a lado, cruzando as pegadas na areia até que não seja possível distinguir as minhas das tuas.
Beijinhos, Bea

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

ANUNCIAR A BOA NOVA

Olá amigos! Hoje é terça feira e estou em Vouzela no 3º dia do acampamento. No tempo de ser de ontem fui folheando o meu dossier e, como não poderia deixar de ser, fiquei os restantes 25 minutos a reler a secção de Santiago!! Ontem, hoje...e sempre!!! Dei-me conta que o título não poderia ser mais adequado...ontem porque já lá vai quase um ano! (como o tempo passa!!!); hoje porque a vida de cada um de nós continua a ser marcada por essa experiência e sempre porque creio que jamais nos esqueceremos dela, por muito tempo que passe ou distância que haja entre nós. Estou agora de novo no tempo de ser e o tema de hoje é Caminhar... Temos para reflexão algumas frases dos guias, os tais reflexos de Santiago, e, uma vez que já os li ontem, decidi eu próprio escrever alguma coisa. O tema de ontem era A Sede o de hoje é Caminhar amanhã será Como Irmãos e Irmãs e depois Anunciar a Boa Nova. Esta sequência parece-me perfeitamente lógica e constitui um itinerário pelo qual todos os Cristãos, de uma forma ou de outra se guiam, voluntária ou involuntariamente: o itinerário da fé. Todos começamos por ter uma sede de algo, sede de amor, sede de caminho, sede de transcendente, uma sede que, no fundo, é sede de Deus. Para saciar essa sede é preciso pôr-se a caminho, caminho que é mais fácil se caminharmos juntos como irmãos e irmãs. Quando encontramos a fonte de água e bebemos dela, devemos anunciar a Boa Nova aos outros. Se hoje me pedissem para descrever a experiência de Santiago nalgumas palavras eu responderia: Sede; Caminhar; Como Irmãos e Irmãs. Agora, cabe-nos a nós acrescentar a estas palavras o Anunciar a Boa Nova! Obrigado por caminharem a meu lado obrigado por estarem comigo na descoberta deste Deus que é amor. Fábio