Quando chegamos a esta época sempre ouvimos falar de jejum, oração, de
termos que ser boas pessoas, que não podemos comer carne, nem doces,
nem...nem...nem...tanta coisa.
Será só isso? Bastará com pouparmos dinheiro, com lembrar-mo-nos (porque
estamos na quaresma) de rezar mais, de comer peixe à Sexta-Feira ou ao
fim-de-semana, como se isso fosse um esforço ou mesmo castigo para recordar o
sofrimento, morte e ressurreição do J.C.?
Isto basta?
Diz o Evangelho:
«E, quando jejuardes,
não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que
os outros vejam que eles jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua
recompensa.
Tu, porém, quando
jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que o teu jejum não seja
conhecido dos homens, mas apenas do teu Pai que está presente no oculto; e o
teu Pai, que vê no oculto, há-de recompensar-te.»
O jejum da simplicidade, da ajuda e entrega ao outro sem dominar ou
atuar pensando que somos os melhores. O
jejum dos nossos próprios sentidos em que não ficamos pela superficialidade e
aprendemos a ir mais fundo, a ser sensíveis a nós mesmos e à realidade que está
à nossa volta. O jejum do mundo da imagem, do instantâneo que nos prende e
obriga a viver e a comunicar-mo-nos a velocidades impressionantes...é tempo para
parar, de “saborear” as nossas relações, de criar espaços no nosso dia para o
silêncio e escutar o nosso interior. O jejum da comodidade que nos arrasta e
faz preguiçosos...temos que sair desse “bem estar” para ir à luta, ao esforço
para enfrentar os desafios, trabalhos e deveres de cada um. O jejum da
angustia, da tristeza...é o momento de “limpar” tudo aquilo que está a mais,
que não nos permite viver...
E quantas vezes ouvimos: “Temos que ser solidários, ajudar os pobres...”
«Guardai-vos de fazer
as vossas boas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles; de
outro modo, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está no Céu.
Quando, pois, deres
esmola, não permitas que toquem trombeta diante de ti, como fazem os
hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem louvados pelos homens. Em
verdade vos digo: Já receberam a sua recompensa. Quando deres esmola, que a tua
mão esquerda não saiba o que faz a tua direita, a fim de que a tua esmola
permaneça em segredo; e teu Pai, que vê o oculto, há-de premiar-te.»
Sim! Devemos ajudar...mas não com o tempo, nem alimentos, nem dinheiro
que está perdido ou a mais por casa...
É a esmola de um AMOR PRÁCTICO, que ajude aqueles que estão
necessitados, é o amor da partilha, em que ponho à disposição, em comum o que
tenho. É dar de comer ao que passa fome, vestir ao que passa frio, consolar ao
que está triste e deprimido. É partilhar a cultura em que vivemos (livros,
música, informação...). É partilhar o nosso tempo numa visita a idosos, presos,
estar com jovens e crianças que não têm ninguém, porque “o tempo é ouro” e nós podemos
partilhá-lo. Esmola é partilhar a nossa energia com outros que não têm...companhia
com o que está sozinho, olhos com quem está cego, pernas com aqueles que não
podem andar.
E tudo isto com amor, alegria, esperança em que a única coisa importante
é o bem do outro e não o próprio; porque o que busco é enriquecer o outro e não
a mim mesmo, é transformar a palavra “meu” em “nosso”. E há momentos em que
somos nós os que precisamos de ser ajudados e isso é difícil porque ficamos a
descoberto, sem máscaras de tal modo que o outro vê, sente e move-se pela nossas
fraquezas; precisamos de sinceridade, humildade e estarmos receptivos a que
aquele que está ao nosso lado possa amar-nos.
E dirão: “Temos que rezar...”
«Quando orardes, não
sejais como os hipócritas, que gostam de rezar de pé nas sinagogas e nos cantos
das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a
sua recompensa. Tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e,
fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de
recompensar-te.”
É nesse contacto com o Pai e com o companheiro de Caminho que agradecemos
aquilo que damos e recebemos; que pedimos por aqueles que necessitam de ajuda e
pelos que podem ajudar...é na oração, no encontro com Deus que recuperamos
forças. Um encontro calado, intimo com Aquele que move o nosso coração aos irmãos
que precisam de nós e que pedem ajuda a todo o momento...é na oração que nos re-conhecemos
como filhos, amigos e companheiros de caminho nesta aventura de Quaresma.
É tempo! De CAMINHAR com sentido, entre o ambiente em que vivemos, entre
as pessoas com que partilhamos os nossos dias...
É o momento de ajudar e ser ajudado, de caminharmos humildes, juntos
partilhando momentos e emoções...com o exemplo de entrega e amor de Jesus.
“Seguir os passos daquele que habita o nosso coração, sem ter medo de
nada e confiantes de que estamos juntos nesta aventura.”
E ainda que o vento sopre fraco...ainda que tudo pareça igual...ainda
que sejamos esmagados pelo tempo...que não saibamos que fazer...há algo novo a
viver...Alguém dirá “Amai-nos uns aos outros como Eu vos amei”...podemos fazer
a diferença, aproveitar as lágrimas derramadas ao longo do caminho, encontrar a
força para gritar bem alto o que sentimos! Queremos! Sonhamos! E haverá sacrifícios,
dificuldades, medos...mas que nunca se apague a esperança, a alegria e a
vontade de continuar a partilhar os nossos caminhos cada vez mais fundo, com
mais intensidade...porque somos projectos de amor de Deus...
A MISSÃO COMEÇA AQUI...Hoje começa um "pequeno" caminho rumo à Páscoa, 40 dias dedicados a
refletir a nossa forma de vida, de entrega e o sentido que damos a tudo isto;
numa palavra...a nossa VOCAÇÃO!
Trata-se de uma pequena publicação periódica na qual os nosso noviços (Fábio e Rui) partilham um pouco da sua vida e experiências.Vale a pena ler e ver os link's que partilham connosco.
“PS: Guernica...A vida é uma batalha mas até essas podem originar obras de arte extraordinárias...”
Este “PS” acompanhado pelo quadro “Guernica” de Pablo Picasso fez-me refletir muito, e agora, que começamos um ano novo, volto à frase e ao quadro e recordo o ano que passou.
Aconteceram muitas coisas ao longo do ano...conheci muitas pessoas...partilhei muitos momentos, sorrisos, lagrimas, sonhos e projectos...disse muitas palavras (talvez demasiadas)...
Também tive momentos em que perdi tempo; em que as minhas palavras foram desnecessárias, os meus gestos e olhares inoportunos.
Mas é o momento de aceitar e reconhecer que tudo isto faz parte de mim, parte da batalha. Aliás, antes de tudo, sou eu o “artista”, é minha a responsabilidade de “originar obras de arte extraordinárias”!
E é então que, por vezes, surge a vontade de mudar a ordem das coisas; surge o impulso de começar tudo de novo e irmos à batalha com todas as forças que estão ao nosso alcance...
Sinto desejo de mudar! Não de ambiente, não de pessoas mas sim de tornar-me mais responsável, comprometido, sincero, humilde...e com esse desejo “de passar a ponte, para a outra margem, onde pudesse perder a dor do caminho que fica agarrada à pele”, em muitos momentos tenho a sensação de perder o controlo e que a “vida passa sempre tão apressada (...) que os dias são ausentes e sabem a nada”.
Por isso é importante, cada vez mais, perguntar-me (-nos) “quem sou eu?” e até mesmo como grupo “E nós quem somos?”
É o momento! É a hora de “rever e recolher o que é nosso” e partir!
Ao começar este novo ano, quero recordar que espera-nos, cada um do sitio e situação em que está, um ano para viajar e aventurar-nos pelos nossos sonhos...
E pessoalmente, sei que continuarei a cometer erros, mas tento não ter medo porque sempre há Alguém que nos ama tal como somos; porque “o que (realmente) importa é o caminho”; é a batalha pela qual nos comprometemos a lutar e a dar tudo o que temos.
Entre dificuldades e sofrimento, alegria e partilha, entro (e se vocês quiserem também podem entrar) nesta aventura que me faz “deixar tudo para viver (...) este sonho que perdura (entre achados e perdidos)”.
Um abraço a todos
Bom ano
Rui
PS: Deixo-vos com “Achados e perdidos” de Mafalda Veiga...
Entre achados e perdidos
Mafalda Veiga
Ao longe vê-se a ponte
O céu que muda
Entre o princípio e o fim
Ao fundo vê-se um monte
De casas velhas
De cor entre ocre e carmim
Eu espero no tempo
Algum sinal teu
Enquanto a saudade aperta
Agarro-me ao mundo
Recolho o que é meu
A ver se a vida se acerta
Naquilo que prometeu
Desenho no horizonte
Uma viagem
Que faço sem me mover
E passo sobre a ponte
Para outra margem
Onde pudesse perder
O peso dos dias
A dor do caminho
Que fica agarrada à pele
Se a vida voasse
Para além do destino
Como a cabeça nos voa
Numa folha de papel
Vê o vídeo do encontro da Páscoa em São Pedro do Sul! Também podes ver mais vídeos no Site da MarCha . Não te esqueças de visitar o site e deixar a tua mensagem pessoal no Livro de visitas ou no Fórum do site.
Desde Sevilha onde estamos com o Jaime aproveitamos para mandar uma saudação amiga a todos os elementos da Marcha. Saúdam-vos a comunidade do Noviciado, o Fábio, o Rui, o Ir. Rui e Ir. Diamantino. Até 4ª feira, início da Páscoa Jovem.
Ainda tenho presente a tranquilidade com que vi o Ir. Rafael pela ultima vez. Queria estar em Vouzela, perto de nós. Queria tocar órgão, como costumava fazer praticamente todos os dias. E já não fazia nada disso há um mês. Tenho a certeza que se lembrava muitas vezes da MarCha. Tenho a certeza de que um dos motivos para que ele quisesse estar em Vouzela, era a MarCha. O Irmão Rafael era um homem de Deus, um verdadeiro Irmão de Champagnat. A vida dele era muito simples, tinha dois centros importantes: Deus, que estava presente de uma maneira impressionante na oração que fazia a todo o momento; e os outros, através do serviço. É importante que nos demos conta deste testemunho: o Irmão Rafael tinha dificuldades com a saúde, mas mesmo assim, nunca falhou nestes dois pontos que eram centrais na sua vida. Também a nós, nos devia chamar a atenção e dizer: "Nunca te esqueças destes dois pontos tão importantes, Deus e os outros". Mesmo que estejas cansado ou não tenhas muita vontade de trabalhar... Com tudo isto, o Irmão Rafael era feliz!
E agora perguntam vocês: e viste elefantes? Pois… apesar de não ter visto elefantes, houve um domingo em que fomos com o Padre Tomás (padre Jesuíta) celebrar a Eucaristia pelas aldeias. Nesse domingo estive numa aldeia cuja tradução do seu nome é: O sítio onde os elefantes vêm beber! =) Deus também tem sentido de humor! =) Para terminar em grande a missão estive na casa dos Irmãos Maristas (que eram nossos vizinhos em Matola – perto de Maputo) e conheci o Irmão António (Irmão Marista português) que me disse que tinha chegado há uma semana de Portugal e que tinha estado no São Macário com o nosso Ir. Diamantino! =) Deus torna o mundo mesmo pequeno! Tão pequenino, tão pequeno que ao fazer o chek-in no aeroporto para vir para Portugal estive e abracei a querida Ir. Tassy!! =D
Cheguei feliz e com uma maior visão do mundo e do projecto de Deus para o mundo! =) Sabem? “A vida não vai parar, vai como o vento, tens tudo a dar não percas tempo! Podes saber que vais chegar… Onde Deus te levar!” =) Por isso, temos de sair do nosso comodismo e fazer o esforço para em cada dia possamos adormecer felizes pelo cansaço de tornar as pessoas que estão à nossa volta felizes! =)
Antes de terminar gostava de agradecer a todos vocês que sei que rezaram e estiveram comigo! Obrigado do fundo do coração! Senti a presença da vossa oração e lá recordei e rezei também pela nossa Mar-cha – que é cada um de nós. Espero que o vosso verão também tenha sido muito rico e que este novo ano lectivo nos torne cada vez mais rosto de Cristo.
Estou ansiosa por vos voltar a ver! Força para o início deste ano lectivo!
Antes de mais queria pedir desculpa de ainda não ter partilhado com todos o meu verão pelas terras de Moçambique, não foi por esquecimento mas sim por necessidade de tempo para “ruminar” todo aquele tempo maravilhoso que por lá passei e desta forma conseguir passar para palavras um pouquinho daquilo que vivi.
Desde pequenina um dos meus sonhos era andar de mala de primeiros socorros a correr por grandes planícies ao lado de elefantes! =) Hihihi… Pois, um simples sonho de criança… Mas a verdade é que ele sempre ficou no meu pensamento ate aos dias de hoje. Há dois anos uma amiga e colega de faculdade (Filipa) convidou-me para abraçar um projecto de voluntariado das Irmãs de São José de Cluny. Comecei-me a interessar e passávamos muitas horas a falar de missão e voluntariado. Após um ano de formação e de discernimento junto de Deus… sentia vontade de ir e confiar naquilo que Deus me ia segredando, mas ao mesmo tempo cá dentro sentia um medo e receio de arriscar. Não foi fácil decidir, mas muitas pessoas (e muitas vezes alguns de vós) foram-me ajudando a perceber que a decisão certa seria ir… e assim parti, com a Filipa e a Olinda, no dia 29 de Julho rumo a Moçambique… E no meu interior pensava: “Quando por Deus se arrisca, arrisca-se sempre bem!” =)
Agora perguntam vocês, e então e lá? Valeu a pena arriscar? Valeu sim…e não sabem o quanto.
Olá amigos! Hoje é terça feira e estou em Vouzela no 3º dia do acampamento. No tempo de ser de ontem fui folheando o meu dossier e, como não poderia deixar de ser, fiquei os restantes 25 minutos a reler a secção de Santiago!! Ontem, hoje...e sempre!!! Dei-me conta que o título não poderia ser mais adequado...ontem porque já lá vai quase um ano! (como o tempo passa!!!); hoje porque a vida de cada um de nós continua a ser marcada por essa experiência e sempre porque creio que jamais nos esqueceremos dela, por muito tempo que passe ou distância que haja entre nós. Estou agora de novo no tempo de ser e o tema de hoje é Caminhar... Temos para reflexão algumas frases dos guias, os tais reflexos de Santiago, e, uma vez que já os li ontem, decidi eu próprio escrever alguma coisa. O tema de ontem era A Sede o de hoje é Caminhar amanhã será Como Irmãos e Irmãs e depois Anunciar a Boa Nova. Esta sequência parece-me perfeitamente lógica e constitui um itinerário pelo qual todos os Cristãos, de uma forma ou de outra se guiam, voluntária ou involuntariamente: o itinerário da fé. Todos começamos por ter uma sede de algo, sede de amor, sede de caminho, sede de transcendente, uma sede que, no fundo, é sede de Deus. Para saciar essa sede é preciso pôr-se a caminho, caminho que é mais fácil se caminharmos juntos como irmãos e irmãs. Quando encontramos a fonte de água e bebemos dela, devemos anunciar a Boa Nova aos outros. Se hoje me pedissem para descrever a experiência de Santiago nalgumas palavras eu responderia: Sede; Caminhar; Como Irmãos e Irmãs. Agora, cabe-nos a nós acrescentar a estas palavras o Anunciar a Boa Nova! Obrigado por caminharem a meu lado obrigado por estarem comigo na descoberta deste Deus que é amor. Fábio